TDAH: O Desafio do Diagnóstico, Maneiras Práticas de Auxiliar o Filho e o Impacto nos Conflitos Familiares

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica que afeta crianças e adultos, impactando significativamente o desempenho escolar, a vida social e até mesmo as dinâmicas familiares. No contexto do Direito de Família, o TDAH pode se tornar um fator central em disputas de guarda e conflitos parentais, exigindo abordagens cuidadosas tanto no diagnóstico quanto no suporte oferecido à criança.

A Melhor Idade para Diagnosticar o TDAH e os Desafios no Processo

O diagnóstico do TDAH é um desafio complexo. Os sintomas, como desatenção, impulsividade e hiperatividade, podem ser confundidos com comportamentos típicos da infância, dificultando diferenciar um traço de personalidade de um transtorno clínico.

De acordo com especialistas, a idade ideal para um diagnóstico mais preciso gira em torno dos 6 a 7 anos, quando a criança já está inserida em um ambiente escolar mais estruturado e as demandas cognitivas e sociais aumentam. No entanto, o diagnóstico pode ocorrer antes, caso os sinais sejam muito evidentes e impactem severamente a rotina da criança.

Os Principais Desafios do Diagnóstico

Sintomas Variáveis: Algumas crianças apresentam apenas desatenção, enquanto outras são predominantemente hiperativas e impulsivas.

Confusão com Outros Transtornos: O TDAH pode ser confundido com transtornos de ansiedade, depressão infantil e dificuldades de aprendizado.

Ceticismo dos Pais e Professores: Muitos ainda encaram o transtorno como um “excesso de energia” ou “falta de limites”, retardando a busca por um profissional.

Falta de Profissionais Especializados: Dependendo da região, há dificuldade de acesso a neuropediatras e psicólogos especializados.

Dessa forma, a avaliação deve envolver uma análise multidisciplinar, considerando relatórios escolares, histórico familiar e avaliações neuropsicológicas.

Como Auxiliar um Filho com TDAH?

Se confirmado o diagnóstico, o suporte dos pais se torna essencial para garantir o desenvolvimento saudável da criança. Algumas práticas podem ser adotadas para minimizar os impactos do transtorno no dia a dia:

1. Criar uma Rotina Estruturada

Crianças com TDAH funcionam melhor com previsibilidade. Estabeleça horários fixos para estudo, brincadeiras, refeições e sono.

2. Uso de Recursos Visuais

Quadros de tarefas, checklists e lembretes ajudam a criança a lembrar compromissos e responsabilidades.

3. Comunicação Direta e Clara

Dê instruções curtas e objetivas. Em vez de “organize seu quarto”, experimente “guarde os brinquedos na caixa vermelha”.

4. Estratégias para a Escola

  • Comunicação constante com professores;
  • Uso de fones antirruído para evitar distrações;
  • Tempo extra para provas, se necessário.

5. Exercícios Físicos e Alimentação

Atividades como natação, judô e corrida ajudam a canalizar a energia. Além disso, uma alimentação equilibrada contribui para o equilíbrio emocional.

6. Psicoterapia e Intervenções Comportamentais

Terapias como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) auxiliam no controle da impulsividade e desenvolvimento de habilidades sociais.

7. Medicação, Quando Necessário

Em alguns casos, o uso de medicamentos como metilfenidato pode ser indicado pelo médico. A decisão deve ser bem avaliada, considerando os benefícios e possíveis efeitos colaterais.

O TDAH e o Impacto no Processo de Guarda e Conflitos Familiares

O diagnóstico de TDAH pode afetar diretamente disputas judiciais de guarda e convivência. Os tribunais tendem a levar em consideração o ambiente mais favorável para o desenvolvimento da criança, o que pode incluir:

1. Conflitos entre os Pais

Muitos pais divergem sobre a existência do transtorno e as formas de tratamento, o que pode gerar embates judiciais. O genitor que nega o diagnóstico ou se recusa a seguir orientações médicas pode ser visto como um fator de risco para a criança.

2. Guarda Compartilhada e a Rotina da Criança

A aplicação da guarda compartilhada pode exigir ajustes para garantir que a rotina estruturada da criança seja mantida. Mudanças constantes de ambiente podem dificultar a adaptação e aumentar os desafios escolares e sociais.

3. Alienação Parental e Uso do TDAH no Processo

Em alguns casos, um dos genitores pode usar o diagnóstico como argumento para limitar a convivência do outro genitor, alegando incapacidade para lidar com as necessidades da criança. Isso pode configurar um caso de alienação parental.

4. Direito da Criança ao Melhor Interesse

O princípio do melhor interesse da criança deve ser o norteador do processo, garantindo que o genitor mais apto a prover os cuidados necessários tenha prioridade na guarda, independentemente de gênero ou estereótipos.

e o genitor mais apto a prover os cuidados necessários tenha prioridade na guarda, independentemente de gênero ou estereótipos.

Conclusão

O TDAH é um transtorno que exige compreensão, suporte e estratégias adequadas para minimizar seus impactos na vida da criança. No campo jurídico, é essencial que as decisões de guarda levem em conta as reais necessidades do menor, evitando que o transtorno seja instrumentalizado como argumento em disputas familiares.

Se você está enfrentando uma situação desse tipo, buscar apoio jurídico especializado pode ser fundamental para garantir um acordo que respeite o bem-estar da criança. Se precisar de mais informações, entre em contato com um advogado especializado em Direito de Família.

Fábio Guimarães

Advogado Especializado em Direito de Família

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